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:: O Sabor da Vida... Natalie Portman...



















































































São raras as actrizes com o talento, a beleza e a inteligência de Natalie Portman. Mas a estrela não consegue acreditar em si própria e no seu potencial. My Blueberry Nights – O Sabor do Amor é mais um filme a desmentir essa convicção.
Embora aparente ser muito segura e determinada em alguns dos meus papéis, na minha vida pessoal sofro de muita falta de autoconfiança”, admite Natalie Portman, uma actriz de 26 anos que já nos ofereceu tantas e tão extraordinárias e diversificadas performances, como demonstra o seu trabalho em Duas Irmãs, Um Rei, Perto Demais, V de Vingança, e, agora, My Blueberry Nights – O Sabor do Amor. “Acho que, nesse domínio, não sou muito diferente de muitas outras jovens, mas pelo menos não finjo que estou sempre na maior. Estou a tentar enfrentar muitas questões que me coloco acerca do meu trabalho e das minhas relações com outras pessoas. Talvez às vezes seja demasiado auto-analítica e autocrítica, mas acho que isso me mantém os pés assentes na terra e me dá a consciência de até onde posso ir.”


Natalie é tudo menos maldosa, como Ana Bolena, a mulher que seduziu Henrique VIII e o fez divorciar-se de Catarina de Aragão. Scarlett Johansson interpreta Maria Bolena, a irmã, muito mais gentil e doce, cuja relação com o rei acaba por ser impossibilitada pelos esquemas de Ana. Apesar da rivalidade entre as duas personagens, Natalie gostou de se tornar grande amiga de Scarlett durante as filmagens em Inglaterra, no ano passado. “Sou filha única e cresci a desejar ter uma irmã como Scarlett. Estou muito contente por termos ficado amigas. Ela é uma mulher fantástica!”Na entrevista que se segue, Natalie Portman, de 26 anos, fala abertamente da sua vida – cada vez mais preenchida – de actriz, das participações em várias campanhas de apoio ao Terceiro Mundo e da sua incipiente carreira de realizadora. No ano passado, Natalie viajou pelo Ruanda num documentário do Discovery Channel sobre a ameaça à população de gorilas e este ano vai realizar A Tale of Love and Darkness, baseado no romance Uma História de Amor e Trevas, do autor israelita Amos Oz.

“Adoro a intimidade que se partilha com um companheiro e o tipo de coisas de que se pode falar quando a relação se aprofunda.”

Reclinando-se no sofá da sua suite de hotel em Berlim, Natalie Portman parece hoje mais feminina e sedutora. De cabelo comprido, com madeixas louras, brilha num elegante vestido Dior preto.O filme Duas Irmãs, Um Rei coloca-as, a si e a Scarlett Johansson, em papéis de certa forma opostos aos que tradicionalmente costumam interpretar.[Natalie ri] Scarlett faz normalmente papéis de mulheres muito atrevidas e eu tenho uma imagem mais dócil, embora tenha interpretado algumas mulheres algo ousadas nos últimos anos. Mas achei muito interessante interpretar a irmã maquiavélica da personagem delicada de Scarlett.


Recentemente fez outro filme histórico, Os Fantasmas de Goya. E agora Duas Irmãs, Um Rei fá-la também recuar no tempo. De que forma é que isso a influencia do ponto de vista de interpretação da personagem?A história e as emoções da personagem são ainda muito importantes no mundo moderno. A emoção humana não muda. Acho que uma das coisas que nos é mais difícil de imaginar é como a História pode ter sido sexy, cheia de mexericos, com glamour. Por tudo o que li sobre a época de Henrique VIII, a vida era ainda mais espectacularmente tortuosa, complexa e retorcida do que por vezes parece hoje em dia. A única coisa que mudou é que agora os meios de comunicação social exploram as sensibilidades humanas e manipulam as nossas emoções muito mais do que no passado.Parece que a Natalie e a Scarlett se tornaram grandes amigas.Estou muito contente por tê-la como amiga. Passámos muito tempo juntas enquanto rodávamos o filme e mantivemo-nos em contacto desde aí. O que eu mais aprecio na Scarlett é ela ser tão cheia de energia e fazer com que eu seja mais extrovertida.


Por que razão é, por vezes, tão reservada?Parece que sou mesmo assim. Actriz criança num mundo de adultos, era necessário comportar-me de forma mais séria do que a maior parte das crianças ou adolescentes. Não me permitia a liberdade de me comportar de outra forma. Também sou muito determinada e disciplinada, e isso tende a tornar-nos mais sérios e, aparentemente, mais introspectivos do que poderíamos querer parecer. Além disso, sou filha única e por isso o meu dia-a-dia era conviver com adultos. E quando isso acontece, tornamo-nos muito precoces. Adaptamos todo o nosso comportamento para se adequar a um mundo de adultos, falamos e comportamo-nos mais formalmente – como um adulto.Isso foi frustrante?

“Não sou pudica, mas tenho alguma dificuldade em lidar com a situação de ser objecto sexual nos filmes.”

Na realidade, não conhecia outra forma de estar. Mas aprendi a ser uma boa observadora e desenvolvi a capacidade de imitar comportamentos adultos. Foi um bom treino para me tornar actriz! [Ri]Disse em tempos que estava sempre a esforçar-se por ser mais aberta e descontraída.[Natalie sorri] É um dos dramas da minha vida pessoal. Estou a tentar ser mais despreocupada e menos inibida quando me encontro com as pessoas pela primeira vez, mas continua a ser um pouco difícil para mim. Ainda estou na fase de ultrapassar o facto de tentar agradar às pessoas e ser uma boa menina. Foi essa a minha forma de me afirmar enquanto criança num mundo de adultos.


Mantém o seu círculo de amigos muito restrito?Sim. Não há muita gente de quem me sinta próxima, mas com os meus amigos tenho uma relação muito boa e profunda. Sinto necessidade de me proteger nesse sentido. Fico muito ansiosa em situações em que não conheço bem as pessoas e também não quero dar a conhecer muito de mim própria. É o meu lado reservado.Na sua relação com os homens, sente que consegue baixar a guarda?Não tenho problemas com isso. Adoro a intimidade que se partilha com um companheiro e o tipo de coisas de que se pode falar quando a relação se aprofunda. É essa a beleza de uma relação amorosa – sentimos uma maravilhosa liberdade para partilhar a nossa vida, mesmo que não seja essa a nossa natureza. É uma das coisas mais gratificantes de se ser íntimo de alguém e de se estar apaixonado.Qual é, para si, a importância de fazer trabalho social activo em várias áreas como, por exemplo, o que fez no documentário sobre os gorilas ameaçados do Ruanda para o Discovery Channel?É muito importante para mim. Tentei construir uma vida afastada das câmaras. Estou muito empenhada em causas como a Finca, uma organização internacional que contribui com pequenas quantias para ajudar as mulheres a ganhar dinheiro, criando pequenas empresas, e a serem auto-suficientes. Viajei por todo o mundo com a Finca, da Guatemala ao Uganda e de volta ao Equador. Isso abriu-me os olhos para o modo como vive o resto do mundo. Este tipo de projectos diz-me muito e faz-me sentir menos conflitos internos sobre a forma como a indústria cinematográfica consegue, por vezes, ser tão superficial.


Sente que a sua vida pode, de algum modo, ter tomado um rumo diferente por se ter tornado tão famosa e bem sucedida tão nova?Não. Isso podia facilmente ter acontecido, mas acho que a minha decisão de ir para a universidade [Harvard] e viver uma vida normalíssima de estudante me ajudou a redescobrir-me, pois tive a oportunidade de conviver com as chamadas pessoas normais, que na realidade são, elas próprias, brilhantes e talentosas. Não me senti deslocada e isso deu--me uma sensação de segurança que não tinha antes, porque não tive a adolescência que a maior parte das pessoas daquela idade vivenciou. Sempre estive muito ocupada e motivada como actriz e, na universidade, aprendi a conviver melhor com os outros, a conhecer uma vida que não tem nada a ver com a indústria cinematográfica nem com a vida algo estranha que a fama nos traz.Teve sempre tendência a fugir de cenas excessivamente sexuais ou de nudez. Mas, recentemente, apareceu nua em Hotel Chevalier, de Wes Anderson, uma curta-metragem que precedeu Darjeeling Limited, do mesmo realizador. Porque é que o fez?[Natalie abana a cabeça e sorri] Por vezes, queria não ter feito essa cena. Mas, por outro lado, é também uma maneira de enfrentar essa questão complicada que é expormo-nos dessa forma. Não sou pudica, mas tenho alguma dificuldade em lidar com a situação de ser objecto sexual nos filmes. Quando uma actriz resolve fazer uma cena de nudez, todas as conversas acerca do filme giram em torno desse facto, o que eu acho uma estupidez. Sobrepõe-se ao objectivo global do filme. E depois há ainda o facto de, em apenas algumas horas, todas as nossas imagens de nudez serem colocadas em milhares de sites pornográficos da Internet. Mas estou disposta a fazer esse tipo de cenas num filme em que isso constitua uma parte importante da história e do percurso da personagem. O sexo é uma parte muito importante da vida e, muitas vezes, nos filmes, acho muito bonitas as cenas de amor. Quando saíram, nos Estados Unidos, as críticas sobre o Hotel Chevalier, vi que metade delas só falava da minha nudez. Isso tira-me a vontade de fazer esse tipo de cenas.


A versatilidade de Natalie Portman demonstrada em filmes como, Paris Je T’aime, My Blueberry Nights – O Sabor do Amor, V de Vingança, Duas Irmãs, Um Rei, Perto Demais e Hotel Chevalier.

Vai com frequência a discotecas para dançar ou divertir-se com os amigos em Nova Iorque ou Londres, onde passa grande parte do tempo?Não sou muito de festas. Gosto de estar com os meus amigos – que são, na sua maior parte, da universidade – em cafés ou em sítios onde não me reconhecem. É uma situação muito diferente da de sair com os meus amigos actores ou ir a festas chiques, porque aí, como há câmaras por todo o lado, nunca sabemos se podemos aproximar-nos de alguém ou baixar a guarda. Por isso, é difícil festejar com um amigo ou mesmo com o namorado. Não queremos as nossas fotografias publicadas em todos os jornais e revistas.Ao contrário de tantas outras celebridades, manteve a maior parte dos seus relacionamentos afastados da imprensa. Isso é importante para si?Acho que devemos proteger esse espaço da nossa vida, sob pena de nos sentirmos muito vazios e expostos. Pensamos estar a partilhar uma maravilhosa intimidade com o companheiro e depois vemos as nossas fotografias na imprensa. Assim, aprendemos a evitar muitos locais. Mas como Nova Iorque e Londres são cidades enormes, conseguimos encontrar alguma privacidade se formos cuidadosos.De que forma é que a sua percepção das relações amorosas mudou ou evoluiu ao longo dos anos?Para mim, trata-se apenas de compreender melhor como as pessoas mudam ao longo do tempo e como as nossas emoções passam por diferentes estados e evoluções. É preciso prestar muita atenção aos sentimentos e necessidades do companheiro e, ao mesmo tempo, tentar definir as nossas próprias necessidades. As relações afectivas serão, por definição, uma coisa muito complicada, mas estou a descobrir que se tornam mais interessantes à medida que vamos aprendendo mais sobre nós próprios e como encontrar um equilíbrio com o outro. Nesse domínio, a aprendizagem é contínua.






Adoro a intimidade que se partilha com um companheiro






e o tipo de coisas de que se pode falar quando a relação






se aprofunda.”






:: Nas mãos da Criação...






































































MULHER & CARREIRA
Susana António, Andreia Tocha, Sílvia Gomes e Leonor Hipólito criam candeeiros, jóias, sapatose carteiras.
Quatro jovens designers dedicadas à moda.
“Sempre tive muita vontade de que o design tivesse uma vertente social importante e não fosse apenas feito de coisas bonitas.”
As palavras são de Susana António, de 29 anos, licenciada em Design de Equipamento na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e no Politécnico de Milão. Reportagens, entrevistas e muitos telefonemas confirmaram aquilo que levou
dois anos (e muita persistência) a comprovar:
Susana tinha tido uma boa ideia: criar carteiras e sacos artesanais com algumas artesãs idosas, utilizando saberes que se estão a perder. “É uma maneira de mostrar que, noutro contexto, os velhos bordados que achamos demodé ficam muito bem aplicados a outro tipo de coisas.”Tudo começou “por uma grande vontade de trabalhar com os lares de idosos, com pessoas que estão sozinhas e precisam de um estímulo para se sentirem úteis. Queria mostrar que os idosos
são uma peça fundamental da nossa sociedade, que têm muito para nos ensinar, em termos de ferramentas relacionadas com este artesanato que está a morrer”. Enviou mais de 150 cartas para lares em Lisboa, a explicar o projecto. Nem uma resposta. Passaram-se dois anos. “Achei que nunca ninguém ia dar valor à ideia”, conta, de olhos embargados.


Leonor Hipólito, professora de Joalharia na Ar.Co, faz “jóias orgânicas”, indo buscar inspiração a formas nos livros de anatomia e medicina.


Enganara-se. De um dia para o outro, entrou no restrito grupo de quatro designers portugueses da exposição My World, New Crafts, da experimenta
design 2005, ao lado de um dos seus ídolos nacionais, Fernando Brízio. A mostra pretendia explorar “a crescente aproximação entre o artesanato e o design nos primeiros anos do século XXI”, e provar que, com a “combinação de criatividade individual e proximidade dos materiais ou do fabrico, o artesanato reinventa-se”. O trabalho de Susana António parecia feito de encomenda…Hoje, a partir do seu atelier no Chiado (Rua da Anchieta, 13, 1.º direito, Lisboa), coordena um
projecto de oficinas criativas com idosos em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais no âmbito do design de objectos para a casa e começa a
ver os seus produtos à venda em Madrid.Susana começou por conceber 10 carteiras para a experimentadesign: “Três com uma senhora de Alfama e as outras com duas pessoas de lares de Setúbal.” O sucesso foi de tal ordem que o processo se inverteu: se, antes, a hercúlea tarefa era captar o interesse das
artesãs idosas, agora choviam telefonemas de mulheres interessadas em trabalhar com aquela menina de sorriso luminoso.A moda está em cada linha destas carteiras. E cose cada ponto da história de vida de Susana. A culpada é Florinda Cebola, 87 anos, a avó, “costureira, impulsionadora deste meu envolvimento com os lavores desde pequena. Sempre que estamos juntas,
fazemos qualquer coisa. Acho que foi uma maneira de nos ligarmos emocionalmente...” E se foi a avó que a despertou para este admirável mundo
dos fios, também ela foi uma das primeiras a conceber uma das suas carteiras, acreditando no projecto desde o início.Um projecto chamado Pick it
(www.pickit-design.com). Carteiras para pegar e conhecer quem está por trás daquele lindo patchwork. Em cada peça, um cartão serve de bilhete de identidade: uma foto acompanhada de um pequeno comentário e do contacto
da artesã liga inexoravelmente o comprador ao criador. Segundo Susana, “é uma maneira de afirmar que quem faz os objectos é uma peça primordial neste jogo do design”.


Em cada carteira Pick it, de Susana António,há um cartão muito especial que
liga o comprador à artesã.


Susana António estudou um ano em Milão. Sílvia Gomes viveu lá oito. Ambas assumem a importância dessa experiência no trabalho que realizam hoje. Para Sílvia, foi tão fulcral que não hesita em “acusar” a cidade de a empurrar para o mundo da moda: “Conheci pessoas que trabalhavam na área e foram elas que viram alguns desenhos meus e me deram coragem para criar uns protótipos. Levei-os a algumas lojas... e foi tudo um bocado rápido. Só aí comecei a ver
como era o mundo da moda.”Nessa altura, Sílvia tinha uma colecção muito pequena de cintos e bastou bater à porta de um showroom em Milão para encontrar clientes como Isetan, o renomado department store em Tóquio.
“Esse foi o meu pontapé de saída.” Como não fazia sentido continuar apenas
com os cintos, pensou criar uma colecção de acessórios mais global e séria. Surgiram assim as grandes e dramáticas jóias de lã e os colares em jersey de algodão entrançado e bordado, vendidos na Colette em Paris (onde a Björk comprou um dos modelos).“Tinha a oportunidade de trabalhar em Portugal
com a minha irmã e o meu cunhado, que tem uma fábrica de calçado no Norte. Começámos em 2005 e estou agora a desenvolver a nova colecção Primavera/Verão 2009, após um breve período de pausa em que me dediquei sobretudo à criação de uma nova linha de calçado para a Maje, uma marca francesa de prêt-à-porter feminino. É uma área muito difícil, requer muita técnica, há muitas regras a cumprir, muitos materiais a assemblar e portanto muitas indústrias envolvidas. Às vezes, a ideia inicial perde-se durante o processo.” Sílvia é angolana de nascença, mas viveu desde sempre em Aveiro e mais tarde no Porto. Estudou Design Gráfico na Escola Superior de Artes e
Design, no Porto, e fez um semestre de Joalharia na Ar.Co, em Lisboa.
Florença impunha-se como o destino seguinte. As poucas oportunidades de trabalho empurraram-na depois para a capital italiana da moda.Odd and Even.
A marca de sapatos desenhados por Sílvia Gomes em Itália e produzidos em Portugal é intencionalmente internacional (Paris, Tóquio, Londres e Milão
são as cidades para onde mais exporta). A tradução significa “par e ímpar”,
e o que, à primeira vista, pode parecer cliché, pode tornar-se uma boa metáfora
para quem, como Sílvia, visa a diversidade.


Viver oito anos em Milão foi decisivo para o interesse de Sílvia Gomes pelo
mundo da moda.


Para esta designer de 34 anos, os sapatos ideais têm de ser cómodos e com carácter, mas têm também de “dar uma certa individualidade e dizer algo da personalidade de quem os calça”. E o facto de não ter estudado moda, em vez de dificultar, parece tê-la ajudado a criar “uma linguagem completamente díspar. Na próxima colecção de Verão 2009 espero aumentar a distribuição em Portugal, onde vendi apenas algumas peças na Clube Chocolate e na La Paz, ambas no Porto”.As peças assinadas por Andreia Tocha podem comprar-se na Embaixada Lomo-gráfica, na Sem Sim (Bairro Alto). Opções não faltam para brilhar com a originalidade desta designer lisboeta de 31 anos. A reutilização de botões de
todas as cores e feitios em colares, brincos e pregadeiras parece entusiasmar a população feminina em geral. Foi exactamente pela resposta tão representativa às suas criações de joalharia que Andreia optou por continuar esta produção: “Decidi participar numa feira de solidariedade e desafiaram-me a criar alguma coisa. No final, vi que havia público para aquelas peças.”Licenciada em Design Industrial pela Universidade Lusíada, sempre se sentiu me-lhor na sua pele criadora nos momentos em que dá forma a candeeiros. Ilumina-se o olhar só de falar: “Comecei com a reutilização de pacotes de pastilhas elásticas, de leite,
para fazer candeeiros e poltronas. A essência do meu trabalho é transformar desperdícios em objectos, lixo em luxo.”Falar do trabalho de Andreia é caminhar pelos campos quase filosóficos da reciclagem, mas é também praticar um exercício de estilo: embalagens de água oxigenada, dos sumos Compal e de bolachas, papel de escritório pintado por ela tornam-se matéria-prima glamorosa e inimitável (tel. 96 426 76 37). E de uns objectos nascem outros...O mesmo acontece com a Praline, de Leonor Hipólito, uma colecção onde os papéis de bombons são mais preciosos que o chocolate, também apresentada na exposição My World, New Crafts, da experimentadesign 2005, e mais recentemente na Galeria Reverso. “São jóias onde utilizo papéis de bombom como se fossem materiais nobres, juntando-os ao ouro e à prata”, descreve.


Andreia Tocha dá forma a candeeiros e poltronas, transformando desperdícios em objectos, “lixo em luxo”.


O objectivo era questionar o valor das jóias, “mostrar que valor vai mais além do material”. Usando o prateado e azul da prata do Bacci, o dourado do Ferrero, o vermelho do Mon Cheri e o verde de uns bombons alemães, a designer de 33 anos criou uma série de jóias. Belas e desarmantes.Esta é uma de duas facetas da obra de Leonor. A outra, mais permanente e constante, explora o corpo humano, a noção que temos dele e a nossa relação com ele, com as pessoas que nos rodeiam e o seu circundante. Em última instância, “a nossa relação com a natureza. A dualidade consciente/inconsciente está sempre muito presente no meu trabalho. Faço jóias orgânicas, mas não no sentido escatológico”. Não admira, pois, que retire formas dos livros de anatomia e medicina. Leonor não hesita: “São a minha grande fonte de inspiração.”Na sua primeira exposição individual, na Galeria Reverso, em Lisboa, provava isso mesmo: “Foi em 2003 e apresentei uma colecção que marcou uma nova fase no meu trabalho. Tinha a ver com a ideia de segunda pele, com essa malha formada pelas células.” Esta mostra vinha na sequência de uma outra colecção ligada aos objectos geneticamente manipulados, “onde a célula era a base, a identidade/individualidade e, ao mesmo tempo, união entre todos nós”.Leonor é actualmente professora na Ar.Co, no departamento de Joalharia, mas não estão longe os anos de estudante “emigrante”. Terminou o curso de Design de Joalharia em 1999, na Gerrit Rietveld Academie de Amesterdão, e é, para ela, inquestionável o valor dessa experiência. Na Parsons School of Design, em Nova Iorque, onde esteve seis meses, explorou o lado técnico.Ainda não tinha acabado a sua odisseia escolar e já tinha elegido os materiais com que acabaria por trabalhar quase em permanência: resinas, vários tipos de borracha, tecidos, elásticos, madeira misturam-se com a prata e entre si para criar jóias únicas e de assinatura bem demarcada (vendem-se na galeria Adorna Corações, no Porto). Arte para usar e tornar especiais todos os dias.







:: Fala-se de: Ajuste de contas Real!!!...

Ajuste de contas real
A filha ilegítima do rei Alberto da Bélgica, Delphine Böel, publicou uma autobiografia na qual, com amargura, ataca o monarca por a ter renegado. Delphine, de 40 anos, casada e mãe de uma bebé, é uma artista plástica com trabalhos em todo o mundo e cuja obra mais recente (duas esculturas revelam os reis Alberto e Paola como porcos) será exposta numa prestigiada galeria em Ghent. Nasceu em 1968, filha da relação amorosa entre a mãe, Sybille de Selys Longchamps, uma baronesa casada com um magnata do aço, e o rei Alberto. A relação manteve-se durante quase duas décadas, quando o casamento do rei atravessou uma fase crítica. Delphine só soube, aos 18 anos, quem era o pai.
Manteve em criança algum contacto com o rei, mas não o vê há mais de 15 anos.

giovedì

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:: Percurso Singular...












Vive em Berlim, onde foi premiada em 2007. Os Príncipes das Astúrias têm um desenho seu, oferecido pelo Presidente da República. E as obras de Adriana Molder vão fazendoo seu caminho sobre papel esquisso.
Por onde começar para falar de Adriana Molder? É que tudo está a acontecer na sua vida! É possível começar pelo Prémio Herbert Zapp, que a distinguiu como Melhor Jovem Artista de 2007, em Berlim. Pelo Príncipe das Astúrias, que lhe pediu para tocar o papel esquisso no qual a artista trabalha. Pela sua mais recente participação numa mostra colectiva, Atelier Berlim, na galeria Presença, no Porto (até 7 de Junho). É possível começar pelo Cinema, pelas heroínas que retrata: Catherine Deneuve, Ingrid Bergman, Kim Novak. Ou pelas cidades e pelos livros, matéria--prima dos seus dias e desenhos.Vamos devagar. Adriana não percebeu logo o que queria fazer. O pai é o artista plástico Jorge Molder, a mãe é a filósofa Maria Filomena Molder. Mas a influência do pai na sua opção foi mais determinante por tê-la levado ao cinema quando era pequena. Adriana viu o Citizen Kane, de Orson Welles, ou o Sunset Boulevard, de Billy Wilder, quando tinha nove ou 10 anos, e aquele universo, a preto e branco, influenciou o seu modo de olhar as pessoas e a arte. Houve um tempo em que quis ser cantora de jazz (a irmã é cantora lírica). Ficava siderada com a voz de veludo de Sarah Vaughan, com Chet Baker no limite do desafinanço, com Frank Sinatra a seduzir plateias. Mas estar no palco exigia demais da sua timidez. Depois tirou um curso de Cenografia no Conservatório. Em 1998 matriculou-se no Ar.Co e percebeu que começava a encontrar a sua forma de expressão.


A descoberta do papel esquisso foi fundamental para a definição da sua identidade. “Eu achava que tinha de encontrar um caminho que fosse o meu caminho. Este papel é mais manuseável e menos hirsuto do que o outro. Parece frágil, mas é muito resistente, não se quebra. Não é bem transparente, como o papel vegetal, mas é translúcido. Como não está preparado para receber água, faz imensas ondas, cria acidentes. Gosto das coisas que acontecem ali e que não controlo.” A sério, tudo começou em 2002, quando expôs pela primeira vez a solo. Fez Câmara de Gelo, uma colecção de figuras que pareciam esculpidas… no gelo. Joe Berardo gostou e comprou. E anos mais tarde, o designer Philippe Starck fez rasgados elogios a esse trabalho. As figuras que lhe interessam são muito diferentes umas das outras. Recriou uma Galeria de Criminosos (exposição de 2005), a partir de fotografias de homens e mulheres acusados das maiores patifarias (homicídios, roubos...). Fez também se- nhores bem comportados que usam chapéu (exposição Cartola, de 2003), que só nasceram porque leu Proust e se interessou pelo ambiente de salão.Foi distinguida como “a revelação” nesse ano de 2003 e recebeu o Prémio CELPA/Vieira da Silva. Hoje, encontramo-la em exposições colectivas e individuais, colecções públicas e privadas, em Portugal, no Brasil, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. E Oviedo.Na sua visita oficial a Espanha, Cavaco Silva ofereceu aos Príncipes das Astúrias uma peça de Adriana Molder. Paralelamente, a artista expôs a série completa a que o desenho pertencia, Encontro Marcado, no Museu de Belas-Artes das Astúrias. “Não havia protocolo especial, eu é que quis fazer a vénia, mas sem baixar os olhos. Olhei o Príncipe de frente porque sou republicana. Fiz a vénia porque gosto de histórias de encantar e, afinal de contas, é um príncipe e tem dois metros… Ele é muito amável e atencioso. Fez perguntas sobre a exposição e ficou impressionado com a fragilidade e resistência do papel que uso. Gostou muito do desenho que o presidente lhe ofereceu e quis saber da melhor maneira de emoldurá-lo.” Para fazer a vénia, escolheu um vestido retro verde-esmeralda que tinha comprado na feira da ladra de Berlim. Vestidos bonitos são sempre um bom tópico de conversa com ela… O Príncipe Filipe parece uma página amarelecida, uma recordação longínqua. Passou um ano e meio desde esse encontro e nesse tempo Adriana viveu a experiência do Bethanien. “Era uma espécie de montanha mágica. O Bethanien é um International Residency Studio Program. Tem artistas residentes dos EUA, Canadá, Coreia, Japão, Bélgica, Hungria, Holanda, Lituânia, Bulgária, Nova Zelândia. Da residência resultou uma exposição individual, Der Traumdeuter. Mas durante o ano, curadores, galerista e directores de museus visitaram o Bethanien para ver as exposições e o trabalho dos artistas.”Foi um ano seminal. Mas já havia tempo desde que se mudara para Berlim. “Fui por minha conta no final de Janeiro de 2006. Queria participar do ambiente instigante que se vive na cidade, no domínio das artes plásticas.” O Bethanien cimentou a sua relação com Berlim e o Prémio Herbert Zapp deu-lhe a noção de o seu trabalho ser reconhecido. Decidiu ficar. Fica, logo se vê até quando.Adriana calça umas peúgas de malha de vidro para passar sobre os desenhos sem os danificar. A gata Mia é obrigada a ficar longe e eriça o pêlo sempre que a porta se abre. A produção dos últimos tempos está em rolos que ela desembrulha com cuidado, para depois mostrar. Nos desenhos identifica-se a paisagem de uma cidade, uma lua cheia e luminosa, o corpo esguio de um homem que fuma, de costas voltadas. Permanece nele o mistério que ronda os desenhos de Adriana. Também há uma ceia, em que as figuras surgem coladas à volta da mesa. Uma técnica mista, com fotografia e desenho. E uma conversa, entre mãe e filha, em grande plano, que na galeria Vera Cortês, em Lisboa (Março/Abril 2008), surgiram lado a lado. Quem são? Falam sobre quê? “Ah, isso não vou dizer…” A narrativa prossegue por conta do espectador, do que este quiser lá pôr.
Um papel, uma identidade Adriana Molder no espaço da galeria Vera Cortês, em Lisboa, onde apresentou os seus desenhos mais recentes, em Março/Abril deste ano. E três das obras dessa exposição, reunidas sob o título The Passenger, em papel esquisso. “Como não está preparado para receber água, faz imensas ondas, cria acidentes. Gosto das coisas que acontecem ali e que não controlo”, diz a artista.

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:: Justin Cooper...


:: Heather & Ellie...


:: Zeynep Oztayinci...

Zeynep Öztayinci

:: Franco Marchesi...


:: Fala-se de Cinema...


Sexo e a Cidade, de Michael Patrick King
Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), autora de sucesso e o ícone de moda favorito de todos, está de volta. A sua famosa perspicácia está intacta e a sua ironia mais acutilante do que nunca, enquanto continua a narrar a sua própria história de sexo, amor e as das outras mulheres de Nova Iorque obcecadas pela moda. Sexo e a Cidade encontra Carrie, Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) quatro anos após a série ter terminado, à medida que as nossas amigas favoritas tentam conciliar trabalho e relações passando pela maternidade, pelo casamento e pelo mercado imobiliário de Manhattan. Chris Noth repete o seu papel icónico como o charmoso, e no entanto esquivo, Mr. Big; David Eigenberg é o prático marido de Miranda, Steve Brady; Evan Handler é Harry, o dependente e amoroso marido de Charlotte; e Jason Lewis é Smith Jarrod, um actor, cliente e amante devoto de Samantha. Como co-protagonistas, estão também Candice Bergen, a preeminente editora da revista Vogue Enid Frick e a actriz vencedora da Academia® Jennifer Hudson (Dreamgirls), a nova e inexperiente mas também conhecedora de todas as marcas de alta costura, assistente de Carrie Bradshaw, Louise, uma recém-chegada a Nova Iorque. De regresso estão Mário Cantone como Anthony Marentino, o opinativo organizador de casamentos de Charlotte e Willie Garson como o esplêndido amigo alfaiate de Carrie Stanford Blatch.
Estreia: 5 de Junho

Aritmética Emocional, de Paolo Barzman


Em 1945, Jakob Bronski, um jovem detido num campo de concentração, acolhe e protege duas crianças recém-chegadas: Melanie e Christopher. As circunstâncias facilitam a criação de um forte laço de amizade entre os três. Quarenta anos mais tarde, Melanie (Susan Sarandon) é uma mulher graciosa na casa dos 50 com o casamento em perigo devido à instabilidade emocional. Inesperadamente, Melanie descobre que Jakob (Max von Sydow) – que pensava ter sido morto em Auschwitz – está vivo e convida-o para uma visita à sua casa de campo. Jakob acede ao convite e faz-se acompanhar por Christopher (Gabriel Byrne), o seu amigo de infância. Christopher nunca confessou o seu amor por Melanie, nem tão pouco o esqueceu. Inevitavelmente, todos são obrigados a confrontarem-se com os terríveis fantasmas do passado num difícil jogo de emoções.


Estreia: 5 de Junho


Um Homem Perdido, de Danielle Arbid





Thomas Koré, um fotógrafo francês, percorre o mundo à procura de experiências extremas. O seu caminho cruza-se com o de Fouad Saleh, um estranho homem com uma enevoada memória. O francês tenta descobrir a sua história e com ele traçar um pouco do caminho pelo coração de um corrosivo e secreto oriente. Estreia: 5 de Junho



Os Reis da Rua, de David Ayer
Em “Os Reis da Rua”, um thriler policial realizado por David Ayer, Keanu Reeves é Tom Ludlow, um polícia veterano da brigada especial de Los Angeles, que sente dificuldade em encarar a vida após a morte da sua mulher. Quando as provas o apontam como responsável pela execução violenta de um colega, ele vê-se forçado a ir contra a própria cultura policial, questionando a lealdade e honestidade de todos os que o rodeiam. Forest Whitaker (Vencedor do Óscar de Melhor Actor) é Capitão Wander, o supervisor e mentor de Ludlow, cujas obrigações incluem protegê-lo e mantê-lo dentro dos limites da lei e longe das garras do Capitão Biggs dos Assuntos Internos, no entanto, Ludlow, juntando-se a um jovem detective de homicídios (Chris Evans), lança-se numa cega busca para descobrir os assassinos do seu anterior parceiro. A sua determinação dá frutos quando os dois detectives finalmente encontram os assassinos, mas as suas tentativas de fazer justiça terão de enfrentar e ultrapassar muitas barreiras… na Cidade dos Anjos, os códigos de moral a serem seguidos tornam-se difíceis de cumprir, especialmente por quem tem o dever de proteger os cidadãos…




Estreia: 5 de Junho




Um Belo Par... de Patins, de Nicholas Stoller
Uma comédia sobre levar com os pés...e aguentar-se à bronca. Dos produtores de «Virgem aos 40 Anos» e «Um Azar do Caraças», chega-nos uma visão cómica da árdua demanda de um homem por crescer e deixar para trás o desgosto de ter sido presenteado com um belo par... de patins!! O esforçado músico Peter Bretter (Jason Segel, de «Um Azar do Caraças») passou seis anos a idolatrar a sua namorada, a estrela de televisão Sarah Marshall (Kristen Bell, de «Veronica Mars»). Ele era o tipo que ficava a segurar na bolsa dela nas fotos dos paparazzi mas que era também constante e acidentalmente omitido dos discursos de agradecimento nas cerimónias. No entanto o seu mundo fica de pernas para o ar quando ela o despacha e Peter dá consigo totalmente só. Após um mal sucedido tour por muitas e variadas mulheres e diversos esgotamentos nervosos no local de trabalho, ele apercebe-se que a ausência de Sarah pode destruir a sua vida. Para espairecer as ideias, Peter embarca numa impulsiva viagem para Oahu, onde é confrontado com o seu pior pesadelo: a sua ex e o novo namorado desta, o rocker britânico, tragicamente cool, Aldous (Russell Brand), estão no mesmo hotel que Peter! Mas enquanto este se atormenta com a realidade da nova vida de Sarah, não deixa de encontrar alívio num flirt com Rachel (Mila Kunis), uma bonita funcionária do resort cuja postura descontraída o tenta a reconciliar-se com o mundo. Ele encontra também algum alívio em várias centenas de comprometedores cocktails de fruta… Para todos os que já tiveram o coração arrancado e despedaçado num bilião de pedacinhos, chega uma hilariante visão dos relacionamentos amorosos. Parte comédia romântica, parte filme catástrofe «Um Belo Par… de Patins» é a primeira comédia romântico-catastrófica do mundo! Estreia
: 29 de Maio





O Coração da Terra, de Antonio Cuardi
Uma saga épica de amor e poder. A personagem principal deste filme é Blanca Bosco. Blanca é uma conhecida autora de livros para crianças, que está agora a enfrentar alguns dos mais traumáticos efeitos de acontecimentos do seu início de vida, uma vez que finalmente decide olhar com mais profundidade para o espelho da verdade. Os terríveis acontecimentos que assombram o seu inconsciente foram vividos em criança, num mundo povoado pela sua melhor amiga Kathleen, sobrinha de Mr. Crown, um inglês presidente de uma mina, e sua mãe, Mercedes. Maximiliano, o seu pai adoptivo, foi um revolucionário que levou a população de Riotinto a protestar contra a devastação da sua terra e a exploração dos mineiros. Estreia: 29 de Maio






Maratona do Amor, de David Schwimmer
Há cinco anos atrás, Dennis (Simon Pegg) estava no altar prestes a dizer o "sim" a Libby (Thandie Newton), a noiva grávida. Mas, na pior altura, a sua auto-estima impede-o de dar o nó e foge a sete pés, e desde então tem corrido em círculos. Mas quando descobre que Libby está, agora, encantada pelo charmoso Whit (Hank Azaria), ele decide que é agora ou nunca. Inscreve-se para concorrer numa maratona para mostrar que é mais do que um desistente e é aí que se dá conta de quanto esforço, suor e lágrimas são precisos para essa mudança. Apesar de ninguém lhe estender a mão, ele sabe que esta é a única oportunidade que tem para provar de que é mais do que apenas uma piada com pernas.







Estreia: 22 de Maio








A Desconhecida, de Giuseppe Tornatore
Uma caótica cidade italiana dos nossos tempos. “A Desconhecida” é Irena. Ela foi para Itália há muitos anos, vinda da Ucrânia, e hoje vive rodeada por fantasmas do passado e pela procura do presente: dois planos de tempo que interagem, sobrepõem-se e constituem um intrigante quebra-cabeças, uma narrativa de tensão. Quem é realmente Irena? Aos poucos e poucos a história vai se revelando. A rapariga fugiu da Europa de Leste, como tantas mulheres na altura. Depois de ter sobrevivido uma viagem dramática e cruel, ela revela-se uma presa fácil para homens rudes e sem escrúpulos. Ela foi sujeitada a brutalidades inexplicáveis e humilhações, o tipo que permanentemente ficam na memória e que nunca se esquecem. Apenas uma memória bonita resta a Irena: um melancólico e piedoso amor perdido. Hoje Irena aparece-nos como uma figura triste e misteriosa, porém uma mulher que ainda exerce um apelo fascinante. No fundo, apesar dos eventos trágicos, o seu carácter permaneceu intacto. Por baixo de um ar aparentemente submisso, o seu orgulho natural e poder rebelde e feroz mantém-se inalterado. Irena parece ter um motivo muito preciso quando pede a ajuda ao porteiro de um bloco de apartamentos para encontrar trabalho ali como senhora de limpezas. Embora o trabalho de Irena seja limpar e encerar as escadas daquele prédio, o seu verdadeiro objectivo é aproximar-se de uma família que lá vive: os Adachers, que têm um negócio de ourivesarias. Nada impedirá Irena em arranjar um emprego na ourivesaria. Nem assassínio. A esta altura, o plano da “desconhecida” tornou-se realidade com a sua inexorável e progressiva infiltração no seio da família. Irena não só tem sucesso ao ganhar a confiança da família, como também a ter um certo poder sobre a pequena filha do casal, Tea. A filha dos Adacher torna-se cada vez mais agarrada a Irena. A sua união é solidificada quando a menina cai numa depressão por causa da separação dos pais. Mesmo assim, este delicado equilíbrio alcançado por Irena, enquanto ela executa o seu plano, tem uma vida curta. Não só ela é atormentada cada vez mais por visões e pesadelos, como também uma figura do seu passado a encontra na sua nova cidade. Com o seu reaparecimento ela torna-se vítima de novos horrores, novas brutalidades, novas tragédias. Na sua sombra ameaçadora, o segredo da cega obstinação de Irena para fazer parte daquela família é revelado. Como um denso nevoeiro que finalmente se dissipa, uma sucessão de verdades reais e supostas emerge, criando novas revelações, associações e outras realidades. Esta reviravolta acelera para um clima tão absorvente e profundo como a própria figura da “desconhecida”. Estreia: 22 de Maio

















Triângulo, de Ringo Lam/Johnny To/Hark Tsui
Tentação. Inveja. Destino. A vida não tem sido generosa para os amigos de farra Sam, Fai e Mok. Até uma noite de tempestade, em que um misterioso velhote lhes aparece num bar, com um esquema tipo “fique rico rapidamente”. Um tesouro antigo está enterrado num edifício governamental de alta segurança. Tudo aquilo que eles têm de fazer é esgueirarem-se e recuperá-lo, isto se acreditarem na história dele…Os amigos decidem pôr-se a mexer em busca do tesouro e testar o seu destino, mas o que eles descobrem supera em muito aquilo que jamais tinham sonhado: um caixão antigo que contém uma indumentária cerimonial feita de ouro. De acordo com Mok, que negoceia em antiguidades, a indumentária vale milhões. A ideia de ficarem ricos submete-os ao derradeiro teste da amizade, a confiança, enquanto os três são atormentados com pensamentos incontroláveis de ganância…Entre sobrevivência, riqueza e amizade, Sam, Fai e Mok terão em última instância de fazer uma escolha… Este é o primeiro filme a ser rodado no estilo do jogo 'exquisite corpse' com três dos indisputados mestres do cinema de Hong Kong. Estreia: 22 de Maio